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TEMER DESCARTA INTERVENÇÃO DOS EUA NO BRASIL E DEFENDE COOPERAÇÃO CONTRA O CRIME ORGANIZADO

Em entrevista ao programa Frente a Frente, do UOL, ex-presidente disse que não acredita em ação militar americana no país e afirmou que o foco deve ser a integração de inteligência

TEMER DESCARTA INTERVENÇÃO DOS EUA NO BRASIL E DEFENDE COOPERAÇÃO CONTRA O CRIME ORGANIZADO
Imagem: Beto Barata/PR

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O ex-presidente Michel Temer afirmou que não acredita na possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil após a decisão americana de classificar o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e o Comando Vermelho, o CV, como organizações terroristas. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Frente a Frente, do UOL, em meio ao debate sobre os possíveis efeitos políticos, diplomáticos e jurídicos da medida.

Questionado se temia algum tipo de intervenção americana no Brasil, seja no campo eleitoral ou militar, Temer minimizou essa possibilidade. Segundo ele, a democracia brasileira está consolidada e não pode ser comparada ao cenário de países como a Venezuela. Para o ex-presidente, a hipótese de uma ação militar dos Estados Unidos em território brasileiro é improvável.

“Intervenção militar não vai haver aqui. A democracia é diferente da Venezuela. A democracia está muito solidificada. Eu duvido que os Estados Unidos resolvam fazer intervenção militar no Brasil”, afirmou Temer no programa Frente a Frente, do UOL.

Apesar de afastar a possibilidade de intervenção, Temer disse que o Brasil deveria ter adotado uma postura mais ativa logo após a classificação das facções como organizações terroristas. Segundo ele, o governo brasileiro deveria ter enviado imediatamente o ministro da Justiça aos Estados Unidos para abrir diálogo com órgãos de segurança americanos, como o FBI e a DEA.

Na avaliação do ex-presidente, o crime organizado ultrapassa fronteiras e, por isso, precisa ser enfrentado com cooperação internacional. Temer defendeu que Brasil, Estados Unidos e países como Colômbia e Bolívia compartilhem informações de inteligência para combater redes criminosas que atuam de forma transnacional.

“O crime é transnacional, portanto o combate a esse crime tem que ser também transnacional. Nós temos que juntar as nossas inteligências: a inteligência do Brasil, dos Estados Unidos, da Colômbia, da Bolívia”, declarou.

A fala ocorre em um momento de tensão após os Estados Unidos classificarem PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. A medida, que entrou em vigor em junho, gerou preocupação em setores do governo brasileiro por poder afetar a cooperação policial já existente e abrir brechas para ações mais duras dos EUA sob o argumento de combate ao terrorismo. A Reuters informou que autoridades brasileiras temem que a nova classificação possa justificar ações militares ou encobertas em território nacional, enquanto representantes da segurança pública no Brasil defendem que a soberania do país seja preservada.

Segundo o UOL, a decisão americana faz parte de uma estratégia mais ampla do governo Donald Trump para aumentar a pressão sobre o crime organizado transnacional na América Latina. A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas foi anunciada em maio e passou a ser acompanhada de perto pelo governo brasileiro, que monitorou a reação da sociedade e os possíveis impactos diplomáticos da medida.

Temer, no entanto, afirmou que o debate não deve ficar concentrado no rótulo dado às facções. Para ele, o ponto central é a necessidade de enfrentar o crime organizado com planejamento, integração e inteligência. O ex-presidente disse que não se impressiona com a classificação e que o mais importante é discutir como combater essas organizações de maneira efetiva.

“Eu não me impressiono com o rótulo que se deu. O que é importante é combater o crime organizado, e não ficar preocupado se há intervenção ou não”, afirmou.

Durante a entrevista, Temer também relembrou que, quando estava no governo, houve uma tentativa de unificar estruturas de inteligência no país por meio do Gabinete de Segurança Institucional. Segundo ele, a integração das informações é essencial para enfrentar organizações criminosas que atuam em diferentes estados e mantêm conexões internacionais.

A posição do ex-presidente se soma a outras manifestações recentes sobre o tema. Em junho, Temer já havia defendido maior aproximação entre autoridades brasileiras e americanas para tratar do combate ao crime organizado, mas ressaltando que qualquer cooperação precisa respeitar a soberania nacional.

O episódio coloca o Brasil diante de um desafio diplomático delicado: cooperar com os Estados Unidos no enfrentamento ao crime transnacional sem permitir interferências em assuntos internos. Enquanto parte do governo vê risco político na medida americana, Temer defende uma resposta baseada em diálogo direto, inteligência compartilhada e ação coordenada entre países.

07 de jul. de 2026 · Redação Scarpa360