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VORCARO DIZ QUE GRUPO DE JAQUES WAGNER RECEBIA R$ 3 MILHÕES POR MÊS EM PROPINA

Alegação aparece em proposta de colaboração premiada rejeitada pela PF e pela PGR por falta de elementos de corroboração; Wagner e Augusto Lima negam as acusações

VORCARO DIZ QUE GRUPO DE JAQUES WAGNER RECEBIA R$ 3 MILHÕES POR MÊS EM PROPINA

Este leitor apresenta um resumo da notícia para avaliar o projeto visual. A reportagem completa está no Scarpa360.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, afirmou em uma proposta de colaboração premiada que um grupo político ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) teria recebido cerca de R$ 3 milhões por mês em vantagens indevidas na Bahia.

A informação foi revelada nesta sexta-feira (25) pelos jornalistas Natália Portinari, Fabio Serapião e Cézar Feitoza, do UOL. A proposta, no entanto, não chegou a resultar em acordo de colaboração: segundo a reportagem, a Polícia Federal interrompeu as negociações em duas ocasiões, e a Procuradoria-Geral da República recusou o acordo por considerar insuficientes os elementos apresentados para corroborar os relatos.

COMO SERIAM OS SUPOSTOS R$ 3 MILHÕES

De acordo com o relato atribuído a Vorcaro, os pagamentos teriam ocorrido por dois caminhos principais.

Cerca de R$ 2 milhões por mês teriam sido pagos pelo Banco Master à PKL One ou a prestadores indicados pela empresa. Vorcaro teria alegado que parte desse dinheiro seria destinada a contratos fictícios e pagamentos em espécie.

Outros R$ 1 milhão mensais em dinheiro vivo teriam sido destinados após a saída de Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga, da estrutura societária indireta da PKL. Na versão de Vorcaro, Sodré atuaria como pessoa de confiança de Wagner.

A proposta também menciona suposta distribuição de lucros e dividendos e outros contratos que Vorcaro classificou como fictícios. O ex-banqueiro afirmou ainda que pessoas ligadas ao grupo político teriam participação oculta na operação do Credcesta, cartão consignado destinado a servidores públicos da Bahia.

VORCARO DIZ NÃO TER PRESENCIADO SUPOSTO ACERTO

Há uma ressalva central na própria reportagem: Vorcaro não afirma ter presenciado diretamente o suposto acordo político.

Segundo o documento obtido pelo UOL, ele teria tomado conhecimento do esquema por meio de seu ex-sócio Augusto Lima. Lima nega ter feito essa afirmação e classifica as acusações como falsas.

A reportagem também destaca que os documentos disponíveis não demonstram que eventual participação societária de pessoas citadas estivesse em nome de Jaques Wagner. Também não é descrito de forma clara qual ato concreto o senador teria praticado em troca dos supostos pagamentos ou como o dinheiro em espécie teria chegado a ele ou ao seu grupo político.

PROPOSTA TAMBÉM CITA RUI COSTA

No documento, Vorcaro se refere ao “grupo de Jaques Wagner e Rui Costa”. Entretanto, segundo a análise do UOL, o capítulo não atribui diretamente ao ex-governador da Bahia um valor, intermediário ou contrato específico.

As formas de pagamento descritas no material estão associadas principalmente a pessoas que Vorcaro afirma serem ligadas a Wagner.

O QUE DIZ JAQUES WAGNER

A defesa de Jaques Wagner classificou as acusações como “completamente falsas e oportunistas” e afirmou que o senador nunca teve relação com a PKL One.

Também declarou que Wagner nunca recebeu dinheiro do Banco Master, nunca atuou em favor dos interesses da instituição no Congresso e considera que a divulgação das alegações busca interferir no processo eleitoral.

Augusto Lima também negou as acusações e classificou o relato como falso e desconectado da realidade. Segundo sua defesa, os serviços previstos no contrato entre a PKL e o Banco Master teriam sido efetivamente prestados.

DEFESA DE VORCARO NÃO CONFIRMA MATERIAL VAZADO

Há ainda outro ponto relevante: a própria defesa de Daniel Vorcaro afirmou repudiar a divulgação dos supostos anexos da tentativa de colaboração e declarou não reconhecer a autenticidade e a integridade do material divulgado, embora tenha dito que o ex-banqueiro permanece disponível para colaborar com as autoridades.

A Polícia Federal já investiga outras suspeitas relacionadas a Wagner e ao Banco Master. Em julho, documentos tornados públicos apontaram que investigadores enxergaram semelhanças entre mecanismos de supostas vantagens atribuídas a diferentes personagens do caso. Wagner, por sua vez, já havia negado ter recebido qualquer vantagem financeira do Banco Master.

25 de set. de 2026 · Redação Scarpa360